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toycamera de verdade

ser frágil é uma característica quase inata de uma câmera fotográfica, que geralmente tem lentes de vidro e várias pecinhas delicadas prontas a se desfazer na primeira queda.

é por isso que a fotografia é uma espécie de arte proibida para as crianças, principalmente para as mais pequenas. esta restrição mantém este grande aliado da alfabetização visual uns 10 anos longe das crianças. imagina só o quanto a fotografia – que desenvolve a definição de hierarquiva visual, a seleção de imagens e enquadramentos e a crianção de composições – seria importante para quem tá dando seus primeiros passos (ou rabiscos e interpretações) visuais?

foi pensando neste público que criaram uma câmera digital pré-escolar, já à venda nos estados unidos. ela tem uma empunhadura de borracha, que faz a pega ser com a mão inteira ao invés de apenas com os dedos; um corpo de plástico sólido  e um foco fixo, para que a criança tenha apenas o “trabalho” de clicar. a câmera tem 0,3 megapixels e um pequeno visor lcd, e além de fotografar, filma. no total são 16 mb de memória de pura diversão e aprendizado para os pequeninos.

antes gastar melhor

eric hanushek

eric hanushek

Semana passada li no JC (impresso) sobre um encontro organizado pela Fundação Itaú Social no MUBE (Museu Brasileiro da Escultura) que debatia sobra o ensino brasileiro. Dele participou o professor americano Erik Hanushek, que defende que o gasto em educação não influencia na melhoria da qualidade de ensino e que o desempenho dos alunos depende exclusivamente da qualificação dos professores. Como argumento, utilizou o exemplo dos EUA, que investe muito mais que os governos europeus em educação e nem por isso os alunos têm notas melhores em exames internacionais.

Não concordo com o seu extremismo quando ele diz que não importa quanto tempo se fica na escola nem a infraestrutura dela, mas o que se aprende. De qualquer forma, acho que é a sua maneira de dizer algo que achei interessante: que um professor bem qualificado e motivado vale muito mais, por exemplo, que uma sala de aula super equipada. Embora a visão de Hanushek seja de posicionar o professor como protagonista da dinâmica educacional, ignorando a importância dos alunos como participantes desta dinâmica; ele acerta nas entrelinhas ao dizer que qualidade de educação tem tudo a ver com conteúdos bem planejados e executados por profissionais de qualidade. Afinal, educação é um processo que requer debate, raciocínio, criatividade; qualidades que apenas os investimentos em recursos humanos podem fortalecer.

atividade de aluno do 3o ano, foto de fabio panico (flickr.com/photos/meupassadoretratado

atividade de aluno do 3o ano, foto de fabio panico (flickr.com/photos/meupassadoretratado

não sei se todo mundo conhece a pedagogia waldorf, mas deveria. é uma pedagogia alternativa, surgida na alemanha, e que já tem em várias partes do mundo, inclusive aqui no recife. a estrutura é mais horizontal, e através de vivências as crianças aprendem e desenvolvem sua sensibilidade. para conhecer mais, clique aqui.

em relação à educação visual e gráfica, as práticas dessa escola são incríveis. a começar que as crianças — não sei se sempre, mas ao menos nos primeiros anos — não usam livros didáticos, mas compilam em um grande caderno sem pautas tudo o que aprenderam, sempre ilustrando-o com desenhos próprios. à procura de mais informações sobre as práticas artísticas nessas escolas, encontrei esta página, que tem uma lista feita por ex-alunos waldorf. já na segunda linha encontrei o que procurava e vou aqui mostrar pra vocês tudo o que eles dizem em relação ao fazer gráfico que me impressionou:

  • Você teve que explicar nas suas férias do segundo ano por que estava procurando uma pena bem bonita… E contava que era para começar as aulas de caligrafia!
  • Você sabe que não deve respirar perto da tinta azul enquanto a prepara para a aquarela
  • Toda semana atá a 4a série havia um novo desenho na lousa que sua professora fazia
  • Se as cores não combinam, você se incomoda
  • Parece natural ter 4 aulas duplas de artes por semana e não entende porque seus amigos de fora acham isso estranho
  • Carrega um estojo de lápis de cor mesmo estando no último ano do colegial
  • Acha que folhas pautadas atrapalham
  • Você estuda o Egito fazendo um papiro e depois escrevendo nele
  • Você tem mais canetinhas, lápis coloridos e giz de cera do que a sua priminha de 3 anos
  • Waldorfs não usam canetinhas… Uam giz de cera de abelha… Muito melhor!!!
  • Waldorf que é Waldorf SABE desenhar
  • Seus cadernos são coloridos e cheios de desenhos… Alguns trocam de cor a cada parágrafo, outros pela classe gramatical, outros quando acham bonito
  • Usa caneta tinteiro!
  • E NINGUÉM VÊ DIFERENÇA ENTRE ARTES APLICADAS E ARTES

Depoimento pessoal: uma vez, na biblioteca, encontrei uma amiga que estuda direito com uma pilha de livros e um estojo de lápis hidrocor. Daí ela me disse que levava os lápis pra tornar o estudo mais divertido.

Nunca esqueci o episódio, que me faz pensar que a maioria das pessoas gosta do fazer gráfico, mesmo aqueles que  acham que não desenham bem. Usar canetas e lápis coloridos, além de motivar para “tarefas chatas”, estimula o exercício da linguagem gráfica ao exigir que se criem critérios de configuração para cada elemento que será disposto na página.

Mas tudo isso  que eu disse foi para introduzir um produto bem legal, que com certeza estimulará bastante o desenho. Alatka é um giz de cera com um formato ergonômico e que permite várias larguras de traço. Peça criada pela designer croata Maja Mesic, foi vencedor do Red Dot Award na categoria educação.

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atividades em sala

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esta foi uma prova de geografia aplicada a alunos de 3° ano do segundo grau. é um exemplo dos verdadeiros franksteins que estão por aí nas salas de aulas. os professores fazem o que sabem: montam fichas através de colagens de textos e imagens, ou se desdobram com softwares que são apenas gerenciadores de textos. mesmo que queiram, na maioria das vezes eles não têm conhecimento para formular uma atividade impressa mais organizada visualmente.

por que isto acontece? os motivos fazem parte de um mesmo problema: o descaso com a formação visual do educador. as ações que visam formar o professor considerando que ele é um gerador de informações também visuais são escassas. sem receber sequer noções de composição, não é preciso comentar que eles também não aprendem a utilizar softwares de diagramação, não é?

é importante para o educador ter a capacidade técnica de elaborar seus próprios impressos por questões porque, muitas vezes, não existe outra pessoa para realizar tal atividade ou mesmo por questão de praticidade. vale salientar que conhecimento visual nunca é demais no ambiente escolar, fazendo com que o conhecimento circule de maneira mais eficiente e completa.

do quadro à parede

nessa minha trajetória, o quadro é uma metonímia: o quadro pela explanação visual na sala de aula. valorizar o quadro não significa torná-lo insubstituível, e sim reconhecer suas características e importância para delimitar seu espaço no universo dos artefatos gráficos educacionais.

a arte-educação é um campo do conhecimento já fundamentado e reconhecido, que conta com bastantes pesquisadores competentes. mas será que a árdua tarefa de “alfabetizar visualmente” deve ficar apenas a cargo dos arte-educadores? acredito que não e para isso, questões da arte-educação podem ajudar a formar professores capazes de contribuir no dia-a-dia para uma formação visual mais complexa e completa.

A “abordagem triangular”, como foi nomeada, tem por objetivo trabalhar a arte dentro da sala de aula em três eixos, que seriam: a história da arte, a leitura da obra de arte, e o fazer artístico, sem que haja uma ordem linear no processo de trabalho dos três. (Olívia Morim, sobre a abordagem para a arte nas escolas criada pela arte-educadora Ana Mae Barbosa).

uma sugestão, ainda que superficial, do uso desta metodologia (ainda que ela seja voltada para as aulas de artes) numa aula de geografia sobre a Ásia:

1. história da arte - o professor traz muitas imagens do local: cidades, comidas, roupas, eventos religiosos; além de mapas, advindos de livros, revistas, projeções, vídeos, etc

2. a leitura da obra de arte – os alunos debatem o que vêem nas imagens e o professor enumera e classifica os pontos levantados pelos alunos

3. fazer artístico – o professor pede para o aluno criar um mapa abstrato do que aprendeu do lugar: dentro do mapa físico, desenhado de observação do mapa grande que está pendurado na parede, o aluno escreve palavras-chave, faz desenhos e colagens.

esta é apenas uma sugestão, havendo diversas abordagens possíveis. o que importa, no entanto, é estimular o ver, o analisar e o produzir das imagens relacionadas ao conteúdo. mesmo numa aula expositiva “mais careta”, há espaço para uma grande exploração de recursos visuais, que podem fazer o diferencial no aprendizado e na motivação do aluno.

etnografia

eu que em meu experimento não tenho como fugir da análise etnográfica, andei lendo umas coisas sobre o tema.

é legal essa idéia de ter de penetrar num grupo para entendê-lo. é claro que a observação nunca será isenta: primeiro porque o grupo vai ter uma alteração de comportamento devido à presença do “estranho”; e depois porque o próprio observador é uma infindável “fonte de parcialidade”. por essas e outras que os relatos de experiências etnográficas terminam por contar muito sobre o pesquisador, a que fatos ele estava atento e ao que se interessava.

um dos textos que li vem de um programa de um curso na universidade da madeira, e dele tirei alguns dados para fazer o esquema a seguir

esquema

introdução ao quadro

meu interesse, por enquanto, está no quadro negro/branco. mas por que, quando o futuro parece estar nos recursos visuais interativos, cada vez mais acessíveis?

primeiro por acreditar que o modelo da aula expositiva não deve se sustentar só na oralidade. o uso de imagens, frases, palavras-chave, desenhos, fluxogramas, é importante para fixar, exemplificar, ilustrar e organizar o conhecimento. desta forma, com o canal visual sendo estimulado em conjunto com o auditvo, o aprendizado se dá de uma maneira mais completa.
o quadro não é o único suporte que cumpre esta função. o projetor de imagens o faz muito bem, principalmente ao mostrar fotos e imagens de grande complexidade, impossíveis de serem feitas pelo professor durante a aula.

mas o que alguns professores ainda não notaram é que a tela de projeção não é o novo quadro. o uso indiscriminado de apresentações dinâmicas feitas no powerpoint torna algumas aulas monótonas, e o que deveria servir para otimizar o tempo em sala acaba distraindo e cansando os alunos. as causas são muitas, dentre elas posso citar o excesso de texto, a má organização visual do conteúdo e, principalmente, o diferente timing.

é aí que entra o segundo motivo (e talvez a peça chave) do meu interesse pelo quadro: o ritmo da construção. enquanto a apresentação de slides vem pronta, o conteúdo gráfico é gerado na hora. ao mesmo tempo que o professor fala e escreve no quadro, e as informações se fundem, encadeadas por uma só narrativa. o aluno, que a mensagem se transpor do oral para o visual, participa da formatação da mensagem e compreende cada elemento que nela se conjuga.
para as crianças, esta importância é reforçada se pensarmos no ponto de vista da técnica e da composição. como seu repertório visual não está ainda formado, assistir a construção de esquemas gráficos as ensina a manejar instrumentos e informações.

então enquanto telas sensíveis ao toque que permitam a eficácia e expressividade da manualidade juntamente com a conectividade a imagens e bancos de dados de todo o mundo não forem suficientemente acessíveis às escolas do mundo, o nosso bom e velho quadro estará cumprindo, e muito honestamente, a sua função.

A princípio elas são atraídas pela possibilidade de deixar um rastro à sua maneira em superfícies planas – o que pode ser um tormento a pais e zeladores – isto é, as crianças desenham para se comunicar. Na escola as atividades envolvem desenho, primeiro desenvolvendo a coordenação motora fina, depois a capacidade de representar elementos exteriores. Pouco a pouco, o desenho deixa de fazer parte da rotina da criança, dando margem a meios “mais precisos” de representação. Sem finalidades, para que continuar desenhando?

Em seu artigo, Children’s drawing and information design education, Bernard Darras comenta este assunto. Para ele, a criança passa por 4 fases de atividade gráfica:
na primeira, repete formas, ritmos, acostuma-se à pega do lápis e a manter-se no suporte;
na segunda fase, vai além da representação gráfica em si e inicia seu trabalho figurativo: desenha coisas, as quais nomeia;
estabiliza seus desenhos na fase 3, constituindo um certo estilo para todos os elementos de seu desenho. constitui narrativas, e jogos organizados em seus desenhos;
na quarta e última fase, a criança começa a conviver com diversos outros meios gráficos e esse conflito se dá em forma de crise gráfica, agravada pelo fato das atividades de desenho não serem tão mais integradas com outras atividades. sem assistência, a criança diz não saber desenhar e atrofia de vez suas habilidades e interesses na área.

Ainda segundo este autor, a escola atua no caminho inverso do interesse da criança pelo desenho. Enquanto elas usam o desenho como atividade coletiva, comunicativa, convergente e de cópia de sistemas de signos estereotipados; a escola quer que o desenho seja uma atividade individual, de expressão, divergente e de criação de signos.
Em relação ao mundo exterior ao da escola, esta faz um uso fraco do universo imagético – normalmente se restringindo ao livro didático e a outras poucas mídias – , tendo em vista a quantidade de possibilidades do seu uso. Os alunos também mais consomem imagens que as produzem, exercitando pouco suas capacidades de configuração gráfica. Desta forma, como a escola pode interessar o aluno visualmente, frente a concorrência externa? Como ele vai poder associar à sua rotina produtiva a produção gráfica e não só vinculá-la a efeitos estéticos ou atividades recreativas?

eu que fiz

fiquei bem abusada ao receber as encomendas que fiz na promoção do site da cosac naify. por causa do bom preço, comprei livros sem conhecer, confiando no nome de ellen lupton, mas quebrei a cara. eu que fiz era bem mais infantil do que eu esperava, e estava procurando alguém para repassar “a bronca”.

daí pensei bem sobre o livro. segundo a própria resenha do site da cosac, eu que fiz apresenta noções básicas do design a crianças e orienta o desenvolvimento de mais de cem projetos artesanais, feitos a partir de materiais recicláveis.
não podia ser mais clara a intenção do livro de ficar comigo e de ser útil em algum momento dessa grande trajetória de EnsinaDesign. há já quem pense nos conteúdos a serem inseridos na sala: dondis, twyman, desenho de observação. mas nada como a experiência desta educadora da universidade de maryland (eua) para orientar e dar dicas de atividades para os pequenos.

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